Monteiro Lobato: um racista fracassado

Imagem extraída do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato Foto: Reprodução

Nota: Esse texto foi publicado pela primeira vez em 2011. Como o assunto não chegou a uma definição, decidir reproduzir o texto sem maiores alterações.

A novela Monteiro Lobato há de durar alguns milhares de capítulos, mas a requentada causada pela audiência conciliatória no STJF parece demonstrar que após dois anos, a polêmica continua servindo apenas de plataforma para manifestações políticas e que nenhum dos lados se preocupou em entender o outro.

De um lado, continuam defendendo Lobato como se o parecer do MEC, que causou todo o caos, fosse uma proibição da obra de Lobato nas escolas. E o movimento Negro continua ignorando a obra de Lobato para levantar a bola do movimento, sem conhecerem a obra em questão ou qualquer aspecto mais profundo do autor.

Isso não tem nada a ver com educação e literatura.

Tudo começou em 2010, quando Antônio Gomes da Costa Neto fez parecer indicando que a obra “Caçadas de Pedrinho” apresentava expressões racistas, especialmente relacionadas ao tratamento dispensado à personagem Tia Nastácia.

A polêmica aumentou, pois a revista Bravo havia publicado algumas cartas “bombásticas” mostrando que Monteiro Lobato, entre outras coisas, admirou o Klu Klux Klan e a eugenia. Como de costume, nenhuma reflexão valiosa foi produzida pela matéria, nada além, de alimentar os movimentos que combate o racismo. Assim, a guerra contra “Caçadas de Pedrinho” virou guerra contra Lobato.

Paralelamente, os bastiões culturais brasileiros partiram em defesa ao ator e a obra. A ideia de censura foi levantada e a importância histórica e cultura do autor foram usadas em sua defesa. Não creio que muitos desses defensores sequer se lembrassem das leituras da infância. Afinal, não vi muitos argumentos que refutassem os argumentos favoráveis ao racismo. A principal defesa era: Monteiro Lobato foi um homem do seu tempo, como se isso também não fosse um motivo para rejeitá-lo.

Com isso, a ideia do racismo incontestável de Lobato cresceu. A polêmica ficou congelada até os últimos dias, quando o STJF realizou dois encontros malogrados para avaliar o caso. De um lado, o MEC, disposto a cumprir o recomendado pelo avaliador, do outro o IARA, que de maneira oportunista, exige que algo extra seja feito, pois estão certos do racismo. É claro que no Brasil, racismo é crime, então pouco entendemos qual é a posição exata da IARA, que prefere aparecer na mídia por conta de um programa de comprar de livros do governo do que perseguir efetivamente o crime de racismo. Assim, a posição extremista da IARA  fica mais aparente, já que no melhor estilo “caça aos monstros” já começaram a perseguir Monteiro Lobato de maneira direta, ao “denunciarem” o racismo da obra a “A Negrinha”.

A completa falta de diálogo e o oportunismo desonesto de atitudes da IARA pode afetar um bom programa de distribuição de livros. E mais, ao invés de auxiliarem a formar leitores, esses senhores querem ampliar o poder do discurso do politicamente correto, no melhor estilo reacionário que caracterizou o pensamento ignorante que gerou exatamente a ignorância que dizem combater.

É preciso conhecer a obra e o autor bem para ter a tamanha certeza que vêm demonstrando.

Por exemplo, não há dúvida da simpatia de Lobato pela eugenia. O que é falso, coisa sugerida por diversos comentários que ligavam a eugenia à origem do nazismo (outra falsidade, a eugenia era apenas conveniente ao pensamento nazista, não uma de suas causas) e é a ligação de Lobato com o Nazismo. A eugenia estava naquela época ligada ao conceito da superioridade cultural europeia e da chamada civilização. Na mixórdia que justificava a eugenia, primava a ideia de que os outros povos não desenvolveram o potencial por uma inferioridade racial, justificada pelo domínio geopolítico europeu. Eram as maravilhas do darwinismo social. As leituras europeias viam o Brasil como um fracasso garantido pelo alto grau de miscigenação que ocorria aqui. A eugenia gozou de grandes simpatias pela elite intelectual, que claramente, tinhas grandes tendências europeias. É essa a eugenia que agrada Lobato, que segue a moda de seus “pares”. Nada tem a ver com a eugenia nazista, com foco na biologia e manipulação genética. Basta olhar o principal livro sobre eugenia, “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. A sociedade daquele mundo não só faz o controle genético, mas utiliza drogas e a cultura para criar sua “utopia”. Livros não são permitidos, hábitos de consumo reforçados e os intelectuais convidados ao exílio voluntário. Lobato também não dissociava a cultura da eugenia. Afirmava que a literatura e não os laboratórios seriam seu instrumento para o aprimoramento social.

O problema é que a posição de Lobato é tampouco clara. Ele elogia a eugenia de forma específica para um interlocutor, mas em outros momentos parece ir contra a corrente e valorizar a mistura racial. Os tempos são outros, vamos lembrar, que o mito das três raças começava a ser construído pelo movimento modernista e era um dos símbolos do nacionalismo brasileiro. Lobato é um nacionalista ferrenho ao mesmo tempo em que é um grande admirador da civilização e progresso. A contradição pode ser encontrada na obra lobatiana. O primeiro deles é o famoso inquérito do saci. No prefácio, dedicou a obra à memória da Tia Esméria, a ama que o havia educado como criança. Uma negra que seria o modelo da Tia Nastácia e que era muito melhor, na opinião dele,  do que as mulheres teuto-ítalo-nipônica que vieram civilizar-nos. Existe um ataque aos grupos que naquele período migravam para o Brasil, ocupando como mão de obra o espaço dos negros que haviam sido libertos há pouco tempo.  Continua então, defendendo a figura do Saci, que identifica como resultado da mistura de influências culturais. Esse símbolo mestiço acaba por ser colocado no panteão mundial dos diabretes, comparando-o com personagens de Shakespeare.

Lobato não é consistente. Parece selecionar quais elementos culturais prefere e quando pode ou não valorizar a mistura cultural brasileira. Tais elementos também aparecem naquela que é sua principal obra e também, aquela onde parece ter colocado em prática a ideia de utilizar a literatura como formação dos futuros leitores brasileiro:

“- A diferença única é que a história é escrita pelos ocidentais e por isso torcida a nosso favor. Vem daí considerarmos como feras os tártaros de Gêngis-cã e como heróis, com monumentos em toda parte, aos célebres “conquistadores” brancos. Na verdade, porém, manda dizer que tanto uns como outros nunca passaram de monstros feitos da mesmíssima massa, na mesmíssima forma.”  -História do mundo para as crianças (pg.132).

Ou seja, Monteiro Lobato, por meio da Dona Benta, faz uma afirmação que contradiz a posição de alguém que esteja completamente comprometido com a eugenia e a superioridade da raça branca. De fato, para Lobato não há vencedores ou superiores na história. Essa posição relativista já havia sido confirmada anteriormente na mesma obra. Quando questionada qual das raças seria superior, Dona Benta escolhe a ariana, mas deixa claro que é uma escolha pessoal e se fosse de alguma outra raça, a sua escolha seria diferente.

É este o Monteiro Lobato da Eugenia. É possível ter a certeza que demonstram os perseguidores de Lobato? Não. Mas e a Klu Klux Klan?

Novamente, o elogio que Lobato faz à KKK não é louvável. Ainda assim, devemos compreender o que significa esse elogio. A visão que havia da KKK no passado é completamente diferente da visão que temos hoje. Basta lembrar a cena da morte do segundo marido de Scarlet OHara em …E o vento levou. Aquela cena é uma versão do nascimento da KKK. Cavaleiros sulistas que buscam justiça com as próprias mãos após o caos causado pela guerra civil e a abolição. Scarlet havia sido atacada por um grupo de pobres em uma aglomeração. O marido, o bom moço Ashley e alguns outros se disfarçam para visitarem o local para uma limpeza. No livro, a referência à KKK é mais explícita. No filme, a passagem é atenuada para evitar polêmicas. Mas ainda assim, fica demonstrado que a KKK era vista como algo positivo – as denúncias que acabaram com essa farsa, são produtos do trabalho dos movimentos de combate ao racismo, especialmente efetivos na segunda metade do século XX. A KKK que Lobato elogia não é a legião de assassinos encapuzados. É uma ordem de senhores de terra, ocupados em organizar a sociedade. Elitistas e conservadora. Como a TFP, como as famílias Sarney, os ACMs, etc.

Encontrar no discurso de Lobato repúdio à superioridade da raça branca não é difícil. Na história “A violeta orgulhosa”, publicado na obra “Histórias diversas”, uma Violeta nasce branca e por isso se considera superior às outras é reprimida por Emília e Visconde. A boneca chega a dizer:

“- Incrível que até entre as flores haja estes sentimentos baixos tão comuns entre as criaturas humanas” – Histórias diversas, 63 pg.

Que sentimentos são estes? A ideia de que a cor que nascemos pode nos tornar superior. Não parece um sentimento condizente com alguém queimando cruzes e usando lençóis brancos, parece?

Ma a grande pegadinha de toda essa polêmica é que não é Monteiro Lobato que está sendo avaliado. O parecer se refere somente a uma única obra e foi a leitura deste material apenas que guiou o  parecer. Nada a ver com cartas e as outras obras.

Basicamente dois elementos da “Caçadas de Pedrinho” foram levantados como evidência do racismo na obra. O primeiro deles é o momento no qual Tia Nastácia sobe em um mastro e é comparada a um macaco. O sem número de indignados que urraram contra o absurdo de comparar um negro a um macaco falharam em uma coisa. Em ler. No mais claro “analfabetismo seletivo”, tornaram-se especialistas em algo lendo apenas as notícias de jornais e não a obra que deram a criticar. Pois se lessem o livro perceberiam que Monteiro Lobato chama todos que sobem em árvores de macacos. Logo no começo do livro, os meninos estão caçando uma onça e:

“Foi uma debandada. Cada qual tratou de si e, como se houvessem virado macacos, todos procuraram salvação nas árvores. Felizmente havia ali um pé de grumixama que dava para abrigar o grupo inteiro. Nele treparam, sem dificuldade, Pedrinho, Narizinho e Emília.” – Caçadas de Pedrinho – pg. 14

Isso mesmo. A não ser que os meninos e a boneca sejam negros, então está provado – sem dúvida – quando Lobato se refere a Tia Nastácia, também está fazendo a mesma referência linguística: o proverbial “ágil feito um macaco.” Não é o estereótipo racista e uma simples leitura é capaz demonstra isso. Fica ainda outro momento quando Monteiro Lobato usa os macacos como referência. Os bichos da mata estão com medo dos meninos e um bugio sugere que mudem para outra mata. Uma capivara discorda e diz:

“ – Imbecil! – resmungou a capivara, furiosa de tamanha de tamanha asneira. – Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens.” – Pg. 17

Isso mesmo. Para Monteiro Lobato os macacos se parecem com os homens. Todos os homens, não com uma raça específica.

A outra expressão que causa revolta não é causada pela falta de leitura. Emília explica que as onças pretendem devorar todos no sítio, inclusive Tia Nastácia que tem carne negra. Ela está descrevendo as ações dos vilões da história. Ou seja, suas falas são vis. Lobato exagera aqui, exatamente para colocar em campo o perigo, o mal da história. É possível ver racismo? Sim, mas para isso basta imaginar que os mesmos personagens que censuram diversas vezes a escravidão como na “História do mundo para crianças”:

“Aqui no Brasil tínhamos também esse cancro da escravidão – e para a vergonha nossa formos o último país do mundo a acabar com ela.” – Pg. 165

Cancro é como a escravidão é chamada. Dona Benta também diz que a culpa da escravidão e das mazelas na áfrica à civilização europeia. Os personagens do Sítio não são racistas, então como explicar a Emília? Hora, a Emília não tem explicação. Ela é censurada diversas vezes, chamada de torneirinha de asneiras. Ela incorre a extremos. Mas esses extremos não são apoiados pelos personagens do sítio. Por exemplo, quando Tia Nastácia não corta as asinhas do anjinho e este parte, Emília está furiosa. Por isso procura Tia Nastácia e furiosa incorre em ofensas, essas mais terríveis do que as anteriores. Dona Benta ao ficar sabendo, censura Emilia:

“…Perdemos o anjinho por sua culpa só. Burrona! Negra beiçuda! Deus que te marcou, alguma coisa em ti achou. Quando ele preteja uma criatura é por castigo.”

Tia Nastácia rompeu em choro alto – tão alto que Dona Benta veio ver o que era. (…)

– Emília! Respeite os mais velhos! Não abuse! (…)

– Como está ficando insolente! – murmurou Dona Benta.” – As memórias de Emília, pg. 125.

Não somente Dona Benta faz o que os censores atuais (censurar não é somente proibir), como a reação de Tia Nastácia – chorar – indica que Lobato quis mostrar que Emília havia ultrapassado os limites. Não há forma mais clara de dizer que Lobato considera essas ofensas não só racistas como negativas. O que talvez esperassem os leitores modernos era que Tia Nastacia, ao invés de chorar, subisse na cadeira e fizesse um funk de protesto? Mas todos eles enfrentariam uma personagem mais rica e complexa que todas as ressacas de Capitu: a Emília é um desafio para todos.

Por isso ela é o personagem símbolo do livro de Ilan Brenman, “A condenação de Emília: o politicamente moderno na literatura infantil” (Aletria, 2012). Emília não é a razão, ela é a liberdade que requer a imaginação. Imaginação que é o fogo que molda, não só o futuro leitor, mas a inteligência de todos os homens do futuro. Por isso o Visconde diz:

“Na realidade, o que Emília é, é isso: uma independência de pano – independente até no tratar as pessoas pelo nome que quer e não pelo nome que as pessoas têm. Para ela eu sou o Milho, o Almirante é o Bifre…”, pg.125.

Amordaçar a Emília simbolizaria aceitar a mesmice e a pasmaceira que formou esse país até agora. Ela é capaz de reflexão e autocrítica. No final daquele mesmo livro, Emília inicia uma reflexão interna quase joyceana sobre o que ela realmente era e os moradores do sítio, incluindo coisas inanimadas como árvores. Finalmente, chega até a Tia Nastácia:

“Eu vivo brigando com ela e tenho-lhe dito muitos desaforos – mas não é de coração. Lá por dentro gosto ainda mais dela do que seus afamados bolinhos. Só não compreendo por que Deus faz uma criatura tão boa e prestimosa nascer preta como carvão. É verdade que as jabuticabas, as amoras, os maracujás também são pretos. Isso me leva a crer que a tal cor preta é uma coisa que só desmerece as pessoas aqui neste mundo. Lá em cima não há essas diferenças de cor. Se houvesse, como haveria de ser preta a jabuticaba, que para mim é a rainha das frutas?” – pg. 129

Primeiro, Emília reconhece o apreço por Tia Nastácia e seu erro ao dizer-lhe desaforos. Então, parece ainda estar presa aos chamados estereótipos racistas, ao não compreender a razão pela qual Deus faria uma criatura boa e negra. Mas amparada pelo raciocínio das páginas anteriores, quando diz que jabuticaba é a sua fruta favorita, Emília passa a eliminar o racismo, ao perceber que existem coisas boas e negras. E que a cor preta só é um problema aqui no mundo e não lá em cima, ou seja, que são os homens os responsáveis pelo problema e no fundo todos são iguais.

Por um lado, os leitores modernos vão dizer que são clichês ofensivos. Ou que talvez isso não fosse humor, já que “obviamente” Lobato é racista. Mas esse pensamento é o mesmo que levou Lobato a condenar a escravidão e a flor violeta. Essa patrulha do politicamente correto, que já demonstrou um lado reacionário, quer apenas evitar que criança aprenda a lidar com o texto da mesma forma que Emília fez. Aquele parágrafo demonstra a linha de raciocínio de alguém que se apropriou de um texto, de uma ideia, e aprendeu.

É claro que professores devem estar preparados, é claro que todo material de apoio deve auxiliar o educador a lidar com questões complexas, mas uma nota explicativa que afirma, como querem pretender, a existência de racismo na obra “Caçadas de Pedrinho” é uma mordaça. Não é ensinar. É ceder á pressão do politicamente correto, a serviço da causa nobre que é o combate ao racismo. Pois, se o que Lobato faz é racismo, a conclusão final é que Emília seria falsa e todo o processo de seu raciocínio uma hipocrisia sem sentido.

Prova do radicalismo é o ataque que a IARA fez ao conto Negrinha. De maneira histriônica foi dito que os negros não podem ser escravos para sempre ou que o conto não deixa claro que os sofrimentos que a personagem sofre são errados. Hora, ou o advogado que diz isso é um dos muitos alfabetos funcionais que chegam até o ensino superior ou não é honesto. Até a frase inicial da obra diz que negrinha é pobre. Não é sobre dinheiro, é por sofrer. Apesar da ironia de Lobato, é claro que ele diz que os tormentos da personagem são ruins. Por exemplo:

“Tinha de contentar-se com isso, judiaria miúda, os níqueis da crueldade.”

Judiar, crueldade. Será senhor advogado, que usamos essas palavras para coisas boas?

Enfim, a história contra como uma negrinha é torturada, sem infância, até que duas sobrinhas da sua algoz permitem que brinque com uma boneca. E é isso que Lobato diz:

“Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da boneca que tinha uma alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que trazia em si e que desabrochava, afinal, como fulgurante flor de luz. Sentiu-se elevada à altura de ente humano. Cessara de ser coisa — e doravante ser-lhe-ia impossível viver a vida de coisa. Se não era coisa! Se sentia! Se vibrava!”

Ela se sente humana pela primeira vez. O final é trágico, pois privada de outros dias como aqueles, ela falece lentamente. Mas é impossível negar que Lobato denúncia a violência aos negros mesmo após a escravidão. Ele se torna humana ao primeiro carinho. É improvável a leitura que é feita pela IARA.

Monteiro Lobato é complexo. Não sei como têm tantas certezas os que querem marcá-lo como racista, pois como demonstramos, como racista ele é um trapalhão. Um fracassado.

Mas temos de falar do “Caçadas de Pedrinho” e o como o livro termina para Tia Nastácia?

Não como uma rebelde moderna. Não. Os personagens estão se divertindo galopando no lombo do rinoceronte quando Tia Nastácia toma por isso seu lugar dizendo que é a vez dela e então:

“Negro também é gente, Sinhá…”


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