Quem foi o melhor jogador do galo?

Jornal_1937

 

Quem foi o maior jogador do Galo? Se ouvirem essa pergunta em Belo Horizonte, duas respostas surgirão tão inevitavelmente quanto engarrafamento na Afonso Pena:

– Foi o Reinaldo, há de dizer um daqueles senhores que ainda cultivam o bigode – sim, pois há diferença em ter um bigode por um mero acaso debaixo de nariz e ostentar um bigode verdadeiro, daqueles que os marinheiros portugueses certamente torciam quando chegaram no Brasil , ou daqueles que vikings usavam de cartão de visitas e que um dos reis volsugos que admiravam, Sigmund, afirmou servir para filtrar o veneno de uma poção que o filho temia beber.

– Foi o Ronaldinho, vai responder um mais jovem, desse novo independência que sabe a utilidade das estatísticas de posse de bola e cujo desenho tático das equipes se parece com um número de telefone; com o cabelo despejado pelo rosto, como se soubesse que enfrentaria o vento e uma tempestade, tal qual o Anjo da História de Paul Klee e Walter Benjamin, pois afinal é Atleticano.

Qualquer retórica é inválida. Não digam que Reinaldo foi capaz de jogar futebol só até os dezenove anos de idade e que o restante da carreira era só talento e que ainda assim, fez frente para o Zico no auge da forma, coisa que só o Platini e o Maradona fizeram. Isso, enfrentando o bairrismo carioca, a rede globo, a ditadura, os juízes sem vergonha e o tribunal de justiça desportiva, que faziam os zagueiros do interior que o caçaram em campo parecer inimigos menores. Não me digam que faltaram títulos, pois títulos nunca fizeram falta ao Atlético e não estou falando somente do brasileiro de 1971, mas também aquele de 1937, antes da Grande Guerra, quando os jogadores usavam aquela toquinha para prender o cabelo, ao jogar futebol. Esse título está no hino e nunca precisou de CBF, que nem existia na época, para reconhecer. Qualquer um sabe que há um time Campeão dos Campeões em Minas Gerais.

Não me façam menção da alegria contagiante de Ronaldinho, o sorriso que é meio que uma careta, constante mesmo quando ele nem tão alegre estava. O time que divertia tanto, que elevou a crença que já existia a um novo patamar. De histórias tão inusitadas e esquisitas, de tantas reviravoltas do que era para dar errado e deu certo – feito um personagem do filme sobre Shakespeare meio apaixonado, que dizia que tudo se resolveria, não se sabia como, pois era assim que funcionava no teatro – a partir do momento em que ele chegou, do nada, de surpresa, feito operação secreta do Poderoso Chefão, meio falastrão e muito louco. Esse Ronaldinho que foi tão melhor do mundo que provocou cenas nas viagens do galo que pareciam que existiam somente nos vídeos da final da Copa de 1970. Não me falem dos títulos internacionais, dessa obseção adquirida de discutir número de troféus e nem desse prazer de curtir essa história de derrotar o improvável.

Não importa. Eu respondo para os dois que o melhor de todos foi o Rinaldo.

– Rinaldo quem?

– Ganhou o quê?

– Ganhou não, vai ganhar.

– E vai ser libertadores? Brasileiro? Mundial?

– Pode até ser mineiro, mas era bom demais, tão bom que falarão dele na hora da cobertura esportiva nos jornais lá de fora.

– Mas se não ganhou título importante, como que é?

– O título que eu quero é o próximo. Isso basta.

– Mas ele joga de quê?

– Joga, não. Vai jogar. Acho que daqui uns anos. Muitos para ser melhor que o Reinaldo ou o Ronaldo.

– E título que ainda não aconteceu com jogador que ainda não nasceu vale? (esse foi o inevitável cruzeirense, representado na real proporção de 3 por 1 para atestar que essa história e verdadeira e aconteceu mesmo.)

– É que o galo é para sempre.

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