O Estranho mundo de Jack

Jack e Sally

Jack e Sally

Ler é ótimo. Mas não é a única forma de Arte e toda Arte é capaz de levar o ser humano além, de expandir a percepção, de provocar, de inquietar, de criar imortais. Ouvir as sinfonias de Beethoven, assistir 2001 de Stanley Kubrick, olhar para o alto e ver a Capela Cistina de Michelangelo, imaginar os ausentes braços da Vênus de Milo, os mistérios que a Esfinge guarda, todas essas experiências podem provocar tanto prazer e estimulo quanto ler a uma nova edição da Divina Comédia (de novo)!

Algumas dessas formas implicam em narrativas e técnicas, outras em momentos de expressão e contemplação. No cinema é possível existir ambas, mas estamos tão acostumados com o mundo de Hollywood que acreditamos que no cinema só há espaço para a narrativa. Então é preciso cobrar dos narradores do cinema da mesma forma que cobramos dos narradores orais e escritores: qualidade, coerência, originalidade e talento. Em Hollywood existem poucos que são capazes de corresponder a nossa expectativa. Tim Burton é um deles. Mesmo ao se tornar comercial, não deixou de lado algo que chamamos de estilo, ou ao menos, deu aos estúdios a opção de explorar comercialmente este estilo. O mundo de Tim Burton é cheio de humor negro e sombrio. Mesmo quando a mensagem é positiva, fica claro que existe beleza nas trevas. O Estranho Mundo de Jack foi um desses filmes, capazes de manter o interesse, mesmo anos depois, que levaram a marca de Tim Burton. Suas aventuras posteriores na animação, como o recente Vicente, não foram tão eficazes.

Na superfície, mais um filme infantil (é uma animação) com uma mensagem simpática sobre o Natal. O rei do Halloween, Jack,  mostra sinais de tédio, uma espécie de bloqueio que o impede de ser original e pregar novos sustos. Tudo é banal, pois é repetitivo. Sua angústia só é percebida por uma boneca de pano, Sally, maliciosa, que sonha em ser livre do julgo de um cientista louco. Jack rapta Papai Noel e tenta substitui-lo no Natal. Mas os habitantes da terra do Halloween e Jack não compreendem bem o Natal, é algo estrangeiro para eles. Ao tentarem simplesmente imitar o Papai Noel falham e o Natal é quase destruído. Sally, com o bom senso de toda heroína, consegue resgatar Jack para salvar Papai  Noel, o Natal é salvo, é Jack redescobre a vitalidade para o Halloween.

O que faz do Estranho Mundo de Jack especial? Os personagens. Jack não é um mero vilão, é quase um artista romântico que descobre que as revoluções podem ocorrer com apoio do povo, mas que eles jamais vão realmente compreender a angústia intelectual do artista. Sally é divertida e… ora, estou inventando demais, é só diversão, certo? O Estranho Mundo de Jack diverte, pois a narrativa obedece as regras básicas que todos devemos seguir, inclusive no momento mágico que Jack se perde em um bosque, cujas árvores são entradas para todos os feriados.

Um filme original, feito em 1993, foi dirigido por Henry Selick e produzido por Tim Burton,  e francamente, me diverte até hoje.

Galeria O Estranho mundo de Jack.

João Camilo de Oliveira Torres

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