Os três bodes

 

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3 bodes

Art: Justin Gerard

Era uma vez três bodes, que precisavam subir um morro para se alimentar e engordar. O nome dos três bodes era “Roque”.

No caminho, havia uma ponte sobre uma cascata, pela qual deveriam atravessar. E debaixo da ponte vivia um Troll com olhos grandes como uma bandeja e com um nariz tão longo quanto um atiçador de carvão.

Então, primeiro surgiu o mais jovem dos bodes.

Tin, ton, tin, ton, passando pela ponte.

“Quem é que está saltitando na minha ponte?”, rugiu o Troll.

“Oh, sou eu apenas, o menor de todos os Bodes Roque e eu estou subindo o morro para me alimentar,” disse o bode com uma voz fininha.

“Eu irei devorar você,” disse o Troll.

“Ah, não, por favor, não me coma. Eu sou tão pequenino, bem pequenino mesmo,” disse o bode, “Espere pelo segundo bode Roque, ele é muito maior do que eu.”

“Tudo bem, suma daqui então,” disse o Troll.

Um pouco depois surgiu o segundo bode Roque para atravessar a ponte.

Tin, ton, tin, ton, tin, ton, passando pela ponte.

“Quem é que está saltitando na minha ponte?”, rugiu o Troll.

“Oh, sou eu apenas, o segundo bode Roque e eu estou subindo o morro para me alimentar,” disse o bode com uma voz nem tão fininha assim.

“Eu irei devorar você,” disse o Troll.

“Ah, não, por favor, não me coma. Espere até que o grande bode Roque venha, ele é muito maior do que eu.”
“Tudo bem, suma daqui então,” disse o Troll.

Eis que então surgiu o grande bode roque.

TIN, TON, TIN, TON, TIN, TON, passando pela ponte, pois aquele bode era tão pesado que a ponte crepitava e rangia com o seu peso.

“Quem é que está saltando na minha ponte?”, rugiu o Troll.

“Sou eu! O grande bode Roque,” disse o bode, com sua voz grossa e ríspida.

“Eu irei devorar você,” disse o Troll.

“Bem, venha então! Tenho duas lanças afiadas
E farei seus olhos saltarem sem dó,
Tenho rochas bem duras e pesadas,
Que vão esmagar seus ossos até virarem pó!”

Isso foi o que o grande bode disse. E assim avançou na direção do Troll, perfurando seus olhos com os chifres, esmagando-o com os cascos até que virasse pó, jogando-o da ponte na cascada e então subiu o morro para se alimentar. Ali os três bodes engordaram tanto que quase não eram capazes de voltar para casa. E se a gordura não sumiu, então continuam bem gordos pastando no morro e foi bem assim, essa história chegou ao fim.

Tradução: João Camilo de Oliveira Torres. Original: The Three Billy Goats Gruff: Best Fairy Stories of the world, CRW Publishing Limited, 2010.

Notas

A história original (De tre bukkene bruse) foi publicada pela primeira vez na Noruega pelos pesquisadores Peter Christen Asbjørnsen e Jørgen Moe, na coletânea Norwegian Folktales (1941).

Neil Gaiman adaptou a história, com o título “A Ponte do Troll” na coletânea “Fumaças e espelhos”. Ao invés dos três bodes, é um menino que convence o Troll a deixar passá-lo, prometendo que retornaria sempre a passar pela ponte. Assim, os três bodes representam as fases do crescimento do homem, criança, adolescente e adulto. De certa forma, remete ao mito de Édipo e a Esfinge, que também é destruída quando Édipo responde corretamente o enigma: “Qual é o animal que tem quatro patas de manhã, duas ao meio-dia e três à noite?”.

Em algumas versões, o Troll é um ogro, ou um gigante e os bodes são irmãos.

Alguns contos similares:The sheep, the Lamb, the Wolf, and the hare (Tibet), The lambibkin (India), Mr.Hawk and Brother Rabbit (Estados Unidos).

Galeria de imagens: Os três bodes.

 

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Um pensamento sobre “Os três bodes

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