Incipit Vita Nuova

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Dante e Beatrice por Henry Holiday

Antes de se tornar uma tarja que algumas obras recebem, por vezes sem que tenham desejado tal coisa, a palavra “Clássico” exemplificou um modo de pensar e criar que dominou a produção literária do mundo europeu até o século XIX. E no centro deste modo de pensar, intrinsecamente ligado ao seu significado, está Dante Alighieri. A Divina Comédia é a sua obra maior, talvez a obra maior de toda a literatura, e é difícil imaginar que a sua poesia tenha sido construída de forma que a doutrina das musas, ou do espírito ou do subconsciente, fosse submetida ao rigor de uma formalização rígida, cuidadosamente planejada, e nem por isso menos impressionante.

Dante cantou uma musa, Beatrice Portinari, sem dúvida. Mas Dante e Beatrice nunca trocaram uma única palavra. Era uma musa idealizada, uma fantasia e um elemento poético que outros poetas no passado haviam utilizado. E Dante construiu essa musa e seu significado alegórico bem antes da Divina Comédia. Ele fez isso em uma obra chamada La Vita Nuova.  Ali, Dante explica todo o seu processo criativo, desde a escolha dos seus símbolos, os modelos que buscou se apropriar e até mesmo a escolha do idioma que passou a utilizar. La Vita Nuova é a obra sobre uma musa viva, é sobre um Amor no seu auge. A Divina Comédia é a busca dessa mesma musa, agora inalcançável, mas também consagrada no Paraíso.

A “descoberta” de Beatrice marca uma nova vida para Dante e logo no primeiro parágrafo diz: “Naquela parte do livro da minha memória, antes da qual pouco se poderia ler, se encontra uma rubrica que diz: Incipit Vita nova” e a partir daí recria sua vida, passado e futuro, em função da poesia e de Beatriz. Tantas são as diferenças entre eu e Dante, por isso esse blog não é um blog sobre a minha criação poética. Mas, guiado pela minha própria musa, também farei daqui uma vida nova.

Aqui eu publicarei novos textos, mas também textos antigos que foram publicados nos últimos anos no site da Editora Aletria. Alguns deles serão revisados, pois perderam sentido com o passar dos anos ou simplesmente, fazem parte de uma vida antiga e se os homens mudam ou permanecem os mesmos, não sei dizer. Mas o que sabemos e pensamos é mais inconstante do que o rio de Heráclito e é bem mais digno que assim seja.

Incipit Vita Nuova,

João Camilo de Oliveira Torres

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