Chapeuzinho Vermelho

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Quando falamos em contos da tradição popular, imaginamos que esses contos, por terem autoria desconhecida, não tenham sido submetidos à mesma revisão rigorosa que sofrem os textos de atores modernos. Verdade, pois esses contos sofreram ainda mais revisões, pois ao invés de um autor, têm vários. É por isso que é possível que um conto tradicional chegue até nós com os exatos elementos na mais precisa ordem que fazem um bom conto. As variações que existem, em grande parte, enaltecem essa escolha popular e anônima, repetindo-a com poucas variações e quando muito, apenas cobrindo-a com um adereço, tal como uma capinha vermelha.

Chapeuzinho Vermelho é um bom exemplo, pois poucos contos populares são tão eficientes. Não importa qual a versão, pois aquela que foi primeiramente registrada, a de Perrault, está inserida em todas as versões posteriores.

É uma história de terror. Sabemos disto logo no começo do conto, pois uma das principais características de um bom conto é agilidade em que elementos de suma importância nos são apresentados. No começo somos informados sobre a geografia do conto, a fragilidade da protagonista (uma menina, um rapaz poderia gritar lobo, mas não causaria nenhuma apreensão por atravessar um bosque), os demais personagens e logo somos informados do lobo e, portanto, do perigo.

Como tudo isso já foi apresentado, o conto está livre para construir toda tensão. Apesar da fome, o lobo não ataca a menina de imediato. Não, ele prefere fazer um jogo com a vítima. Dentro do bosque, que é o verdadeiro local de risco, ou ao menos onde seria esperado um ataque e não na casa da avó, toda ação é pueril, todo movimento é delicado. Fala-se em atalhos e em colher flores. Compare com o lobo desesperado da história dos Três porquinhos, um lobo cômico e fracassado, mas que ataca direto ao ponto.

Sabemos que o lobo e o cão têm parentesco e isso faz da ousadia do lobo, que prefere preparar uma armadilha em um local civilizado ainda mais chocante. Penso no Drácula de Stoker, que também faz todo um jogo ritual antes de se revelar e que também ousa deixar o seu lar para atacar em Londres.

A cena final, que é a cena de impacto que justifica o conto, é apenas a continuidade desta ousadia. O lobo é terrível, foi capaz de tomar a identidade da avó e da própria Chapeuzinho, apenas para provocar as famosas perguntas, que suavemente esquartejam a vítima, seja ela a menina ou a avozinha.

Perrault, assim como os que vieram depois dele, utilizaram uma história que possivelmente se inspirou na proximidade dos homens com os lobos, e a transformou em algo mais. Mas a história de terror ainda é a mesma, pois o monstro que devora uma menina indefesa está sempre presente, assim com todos os elementos que constroem um bom conto de terror.

Galeria de Imagens Chapeuzinho Vermelho


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